5+1 – Urbano

O tema desse mês do Projeto 5+1 é urbano. A idéia era apresentar um pouco a nossa cidade. E como moro em Limeira, mas minha cidade natal é São Paulo, resolvi trazer um pouco das duas cidades para você conhecer alguns pontos que eu gosto.
Vou começar por Limeira. Uma cidade quente do interior de São Paulo, com quase 300 mil habitantes, um lugar gostoso pra se viver e que me surpreende desde o dia que me mudei pra cá. Aqui tem uns eventos bem bacanas que só é vivenciado nas pequenas cidades, como o Coreto na praça do Teatro Vitória [foto abaixo]. Todo domingo tem uma banda tocando de manhã! O Dante adora ir lá, ele dança, brinca com as outras crianças (porque lá fica cheio de tanta gente). E o mais legal, o teatro é super bem frequentado, o pessoal aqui tem muito costume de ir ver as coisas lá. Tanto que a programação do mês no teatro é bem apertada, de tanta coisa que vai passar.

Nessa mesma praça tem uma gruta [foto acima à esquerda], ela foi construída em 1920 e ela era o coreto original da praça, bem diferente né? Essa gruta tem uma arquitetura maneirista e retrata um castelo medieval. Apesar de não receber mais as bandas, você pode subir nela para ver a praça e as redondezas. 
A foto das duas casa [acima à direita] você pode ver 2 casas que tem aqui perto da minha casa. Não sei porque mas elas me chamam muita atenção quando estou passando pela rua, então resolvi mostrar ela também (sei lá porque, acho que pra mostrar no que reparo quando estou andando). As duas casas são antigas; sendo que uma é mais cuidada que a outra… parece até que são primas. O que mais chama a atenção, é que na minha rua só existem lojas bonitas, e apesar delas estarem “hospedadas” em casas antigas, todas elas tem a fachada reformada e revestida (make-up); então essas duas primas foram as únicas que sobreviveram pra contar história.
Continuando com as praças (em limeira tem mais coisas, mas eu gosto de praça) umas 3 quadras da praça do teatro tem outra praça, a da Boa Morte. Nela fica a igreja da Boa Morte e eu achei bem engraçado o nome dela quando ouvi pela primeira vez. Mas o nome vem de uma santa: Santa da Boa Morte. E como você pode ver abaixo, ela não é tão linda assim por fora…. mas quando você entra! Nossa, é tão legal! Ela é toda colorida. Tem o estilo Barroco e foi feita da forma mais alegre que eu já ví nesse estilo! Tem o teto azul com dourado e é cheia de anjinhos (feitas por um Alemão, que usou como modelo algumas crianças da cidade). Ela foi construída em 1860.
Agora, vamos pra Capital. E é claro que vou mostrar a casa que eu mais gosto!! A Casa das Rosas que foi projetada por Ramos de Azevedo (que também fez a Pinacoteca e o Teatro Municipal de São Paulo). Ela é linda! Tem o estilo clássico francês e possui 30 cômodos, edícula, jardins, quadras e pomar… tudo isso na Av. Paulista. Antigamente ela reunia a maioria dos milionários barões do café, mas hoje ela é um lugar onde são oferecidos cursos, oficinas, saraus, peças teatrais, exposições… tem muita coisa legal que acontece naquele lugar. 
E pra terminar, vou mostrar um pedaço do bairro da Liberdade. Quem gosta de lá levanta a mão |o| acho que todos em São Paulo gostam da sensação exótica que aquele bairro fornece… mas você conhece a história de lá? Eu não sabia, descobri em um passeio com roteiro arquitetônico que fiz em São Paulo [já comentei dele aqui]. E hoje vou compartilhar isso. Por isso, esse vai ser o +1 desse mês. Senta que lá vem História
Resolvi contar um pouco da história do Bairro da Liberdade em São Paulo, porque é uma memória que está sendo apagada; segundo as palavras da historiadora Laura Antunes: “Demolimos e construímos outras coisas no lugar, num movimento de apagamento das memórias”. Percebemos isso com o Bairro da Liberdade, pois quando ouvimos algo sobre ele, logo vem uma imagem na cabeça… que não tem nada a ver com a história do lugar.
Até 1888 (abolição da escravatura), o local onde fica a Praça da Liberdade era conhecido como Largo da Forca. Naquele local muitas pessoas se reunião para ver os escravos fugitivos, negros, índios, mulatos, bastardos, rebeldes e infratores pobres serem enforcados. Dentre os que foram enforcados, havia o caso do Chaguinhas. Francisco José das Chagas que morava na Rua das Flores e era um soldado do Primeiro Batalhão dos Caçadores era conhecido como Chaguinhas. 
Em junho de 1821, o batalhão de Chaguinhas revoltou-se contra o comando português por estarem com o salário atrasado a quase 5 anos. E essa revolta resultou em saqueamentos, libertação de presos e assassinatos de autoridades portuguesas. Depois que a revolta foi sufocada, os rebeldes foram presos e submetidos a julgamentos, mas diz a tradição que Chaguinhas assumiu toda a responsabilidade pelo ocorrido (libertando assim seus colegas de trabalho). E ele foi condenado à forca. Só que no dia do enforcamento, sua corda foi rompida. Tentaram enforcar de novo, mas outra vez a corda se rompeu. E na terceira vez (com o povo clamando piedade, pois isso era algum sinal divino) a corda se rompeu de novo; e ele, ainda vivo no chão, foi assassinado a coroadas pela autoridades. Chaguinhas é visto pelo povo como herói, vítima e mártir inocente que morreu em nome de uma causa justa comum a outros paulistanos que ansiavam pela liberdade frente à coroa Portuguesa.
Próximo ao Largo da Forca (atual praça da Liberdade) existia um cemitério, que acolhia os enforcados, indigentes e escravos. Dentro do cemitério havia uma capela (onde os condenados à forca passavam a noite antes da execução). Ela é conhecida como Capela dos Aflitos e foi a única que restou como lembrança dessa história. Ela foi construída em 1779 e possui entalhes originais de barroco paulistano. O cemitério durou entre 1775  e 1888; e depois foi loteado e colocado à venda. 
Minha última foto desse 5+1 é dessa Capela*, você pode ver no passado/presente. E na próxima vez que você for passear na Liberdade, tente ir visitá-la. 
E se você leu o post inteiro, muito obrigada! Eu sei que ele ficou um pouco longo, mas achei que a causa era justa, pois eu queria muito compartilhar um pouquinho de uma memória que pode ser esquecida. 
Espero que tenha gostado! E não deixem de ver o post das outras blogueiras que participam do Projeto 5+1: Alessandra Aléxia | Tamy | Sherry
Fontes:
[1] Ruas de São Paulo no século XIX, Folha de São Paulo
* Eu tirei uma foto da Capela dos Aflitos com a camera da minha amiga… mas não consegui pegar com ela ainda, por isso deixei 2 fotos que retirei do site Preserva SP


12 Comentários

  1. Aléxia julho 17, 2017

    Que post caprichado Fran! Amei as fotos e amei conhecer um pouco de SP!
    Fiquei com muita vontade de visitar as cidades!
    Essa foto das duas casas me chamou muito a atenção. Por aqui também há alguns prédios antigos no meio da ~modernidade~ toda, é uma beleza inexplicável! Sou apaixonada por esses detalhes.

    Beijos!

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  2. Clarissa Carino julho 17, 2017

    Parabéns, poucas blogueiras fazem um trabalho tão caprichado e com tanto amor! 😉

    Seu blog é uma graça, adorei mesmo… andei passeando por uns links por aqui e voltarei mais vezes, fato!

    Beijos!

    Clá

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  3. Patricia Leardine julho 17, 2017

    No comecinho do ano estive em Limeira no Surya para fazer um curso de yoga. A cidade tem um clima de interior bem gostinho… E é relativamente perto da cidade dos meus pais.
    Adoro o contexto histórico, e sou apaixonada pela Liberdade também. Só posso dizer que gostei muito do post e do seu blog. Parabéns, Franciele.

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  4. Stephanie Salateo julho 17, 2017

    que.de.ma.is Fran! Eu adoro história e fico super triste por SP ser tão pouco preservada. Não conhecia a história da Liberdade e também não sabia que Limeira tem toda essa carinha de cidade de vó. Gostei muito, tenho vontade de morar em uma cidade assim tranquilinha sabia? Já cansei do alvoroço da capital.

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  5. Alessandra Lima Souza julho 17, 2017

    Adorei Fran, amo a forma como você faz teus post e a delicadeza (algo que não tenho) que os faz.

    Muito obrigada por compartilhar a história da famoso Bairro Liberdade, eu só conheço por nome mesmo e espero que algum dia o conheça.

    Adorei conhecer a tua cidade e mesmo amando cidade grande, prefiro o interior. E a tua cidade me deu muita vontade de visitar, mesmo a Tamy dizendo que é muito quente. Cá pra nós, ela não sabe o que é o inferno de São Borja. hehe

    Beijão Fran.

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  6. Tamy Batista julho 17, 2017

    Ah, que massaaaaaaaa seu post Fran <3
    Adoro o jeito que você escreve! E nem achei que foi muito ^^
    Morei em Limeira por 2 meses e sofri com o calor insuportável, HAHAHA Na época tinhamos uma piscina de plástico e minha mãe ia me buscar na escola, eu chegava em casa, jogava a mochila e a roupa e ficava na piscina o dia todo, HAHAHAHA!
    São Paulo <333333333 O que dizer dessa terra que eu amo, hehehe
    Adorei a história sobre a Liberdade, eu conheço essa capela e fiquei feliz em conhecer a história <3 Adorei o mapinha :3
    Um beijo Franzinha <333
    Tamy | http://www.descoladavida.com

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  7. Francielle M. julho 17, 2017

    Que bom! e acho que deveria vim visitar Limeira sim!
    Então, essas casas antigas sempre possuem uma beleza misteriosa né? temos o mesmo gosto [eu já sabia disso rs]

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  8. Francielle M. julho 17, 2017

    Que bom que gostou daqui! fico super feliz!
    Obrigada Clá <3

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  9. Francielle M. julho 17, 2017

    Obrigada Patricia <3

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  10. Francielle M. julho 17, 2017

    Se por um lado São Paulo é mal cuidada, por outro tem vários grupos se organizando e fazer com que aconteça essa melhora nos lugares históricos.
    Eu adorava morar em São Paulo e achei que não fosse gostar daqui, mas me surpreendi quando cheguei aqui! acho q vc deve fazer isso um dia, se der, mudar pro interior pra saber como é a vida aqui.
    beijoss

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  11. Francielle M. julho 17, 2017

    kkkkk eu já tenho medo de ir pra São Borja! uma por causa da vaca no post kkkkk rio disso até hj, e outra por causa do calor! mas as peculiaridades que vc conta dessa cidade dá vontade de conhecer sim!

    beijos Ale!

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  12. Francielle M. julho 17, 2017

    Comprei uma piscina de plástico pro meu filho rs agora ele não vai derreter no calor… talvez cozinhar na piscina kkkkk
    Obrigada Tamy!
    beijos

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